Tontura ao virar na cama: causas e quando investigar

Sentir tontura ao virar na cama é uma situação bastante característica. A pessoa está deitada, muda de lado e, de repente, tem a impressão de que o quarto começou a girar. Em outros casos, a crise aparece ao levantar, olhar para cima, abaixar a cabeça ou fazer um movimento mais rápido.

Quando existe uma sensação de giro provocada por mudanças específicas na posição da cabeça, uma das possibilidades é a Vertigem Posicional Paroxística Benigna, conhecida como VPPB. Ela é uma das causas mais frequentes de vertigem desencadeada pelo movimento e costuma provocar episódios breves.

Isso não significa, porém, que toda tontura relacionada ao movimento seja VPPB. A duração da crise, os movimentos que a desencadeiam e a presença de sintomas como alteração da audição, zumbido ou desequilíbrio ajudam a direcionar a investigação.

Tontura ao virar na cama: por que o movimento pode desencadear a crise?

O equilíbrio depende da integração de diferentes sistemas do organismo.

O ouvido interno contém estruturas responsáveis por identificar os movimentos e a posição da cabeça. Essas informações são enviadas ao cérebro e combinadas com aquilo que os olhos enxergam e com sinais provenientes dos músculos e das articulações.

Quando há alguma alteração nesse sistema, determinados movimentos podem provocar uma sensação inadequada de deslocamento ou giro.

É comum a pessoa perceber tontura ao:

  • virar para um dos lados na cama;

  • levantar depois de ficar deitada;

  • inclinar a cabeça para trás;

  • olhar para cima;

  • abaixar para pegar algum objeto;

  • movimentar a cabeça rapidamente.

Descrever exatamente qual movimento desencadeia a crise ajuda bastante durante a consulta.

A VPPB é uma das principais possibilidades

Na VPPB, pequenas partículas de carbonato de cálcio, chamadas otocônias, saem da região onde normalmente permanecem e chegam a um dos canais semicirculares do ouvido interno.

Com isso, alguns movimentos da cabeça passam a enviar informações inadequadas ao cérebro sobre a posição do corpo, desencadeando vertigem.

As crises costumam acontecer em situações específicas.

Virar na cama é um exemplo muito comum, mas levantar a cabeça, olhar para cima ou se abaixar também podem provocar o episódio.

A sensação geralmente é descrita como giro intenso, mas de curta duração.

Apesar do nome “benigna”, a VPPB pode causar bastante desconforto e aumentar o risco de quedas, principalmente quando a pessoa tenta caminhar durante uma crise.

Nem toda tontura deve ser chamada de labirintite

É muito comum utilizar “labirintite” como sinônimo de qualquer tontura.

Entretanto, diferentes condições podem provocar vertigem, instabilidade ou sensação de cabeça leve.

A própria forma como o paciente descreve o sintoma faz diferença.

Vertigem costuma estar associada à sensação de movimento ou giro. Já tontura também pode significar:

  • sensação de desmaio;

  • cabeça leve;

  • instabilidade;

  • desequilíbrio ao caminhar;

  • sensação de flutuação.

Quando tontura constante ou recorrente começa a interferir na rotina, identificar qual dessas sensações realmente está acontecendo ajuda a evitar que diferentes problemas sejam tratados como se fossem a mesma condição.

Além de alterações do ouvido interno, medicamentos, pressão arterial, problemas neurológicos e outras condições também podem causar sintomas relacionados ao equilíbrio.

Quanto tempo dura a tontura?

Essa é uma das perguntas mais importantes durante a investigação.

Na VPPB, os episódios costumam ser breves e relacionados diretamente a determinadas mudanças na posição da cabeça.

Uma crise que dura poucos segundos depois de virar na cama apresenta um padrão diferente de uma tontura que permanece durante horas.

Por isso, vale tentar observar:

  • quanto tempo cada episódio dura;

  • qual movimento iniciou a tontura;

  • se acontece sempre ao virar para o mesmo lado;

  • se ocorre mesmo quando a pessoa está parada;

  • se existe náusea;

  • se aparece zumbido;

  • se há mudança na audição;

  • se existe sensação de ouvido cheio.

Essas informações ajudam a diferenciar a VPPB de outras causas de tontura.

Como o diagnóstico da VPPB é feito?

Quando a história apresenta características compatíveis, o profissional pode realizar manobras específicas durante a consulta.

Uma das mais utilizadas é a manobra de Dix-Hallpike.

Durante o teste, a cabeça e o corpo são posicionados de determinada maneira para verificar se a vertigem aparece e se surgem movimentos involuntários dos olhos, chamados nistagmos.

A diretriz da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery recomenda esse tipo de manobra para o diagnóstico da forma mais comum de VPPB.

Isso também ajuda a entender por que nem todo paciente com esse padrão de vertigem precisa começar a investigação realizando vários exames.

Quando o quadro é típico e não existem outros sinais preocupantes, a avaliação clínica pode fornecer informações importantes para o diagnóstico.

A mesma manobra que investiga pode ajudar no tratamento?

O tratamento da VPPB pode envolver manobras de reposicionamento.

O objetivo é movimentar as partículas que chegaram aos canais semicirculares e conduzi-las para uma região onde deixam de provocar os sintomas.

A manobra de Epley é uma das mais conhecidas.

Diretrizes recomendam as manobras de reposicionamento como tratamento inicial da VPPB do canal posterior quando o diagnóstico é confirmado.

Por isso, nem sempre o principal tratamento é um medicamento para tontura.

Inclusive, a AAO-HNS orienta que medicamentos supressores vestibulares não sejam utilizados rotineiramente como tratamento principal da VPPB.

A conduta depende, naturalmente, da confirmação de que esse realmente é o problema.

Quando podem ser necessários exames do equilíbrio?

Nem toda tontura precisa de exame vestibular.

Em algumas situações, porém, os sintomas não apresentam um padrão tão característico ou permanecem mesmo depois da avaliação inicial.

Nesses casos, pode ser necessário investigar como o sistema responsável pelo equilíbrio está funcionando.

A VENG avalia respostas relacionadas ao sistema vestibular por meio de diferentes testes e do registro dos movimentos dos olhos e pode ser solicitada conforme os sintomas e a suspeita clínica.

O exame não serve simplesmente para responder se a pessoa “tem labirintite”.

Ele fornece informações que precisam ser interpretadas junto com a história do paciente, o exame físico e outros achados.

Em quadros típicos de VPPB, a própria diretriz recomenda evitar testes vestibulares desnecessários quando o diagnóstico clínico já está estabelecido e não existem outros sinais que justifiquem investigação adicional.

Tontura acompanhada de alteração da audição muda a investigação

Quando existem sintomas auditivos durante as crises, é importante relatá-los.

Zumbido, perda auditiva ou sensação de pressão no ouvido podem direcionar a investigação para outras condições do ouvido interno.

Por isso, informe se durante os episódios ocorre:

  • redução da audição;

  • zumbido;

  • sensação de ouvido cheio;

  • pressão;

  • diferença entre os dois ouvidos.

Quando vertigem aparece acompanhada de alterações auditivas, o conjunto dos sintomas ajuda a diferenciar condições que podem parecer semelhantes inicialmente.

Alguns sinais não combinam com uma tontura posicional simples

Existem situações em que a prioridade deixa de ser investigar apenas o labirinto.

Procure atendimento rapidamente quando a tontura aparecer junto com:

  • dificuldade para falar;

  • fraqueza ou perda de força em alguma parte do corpo;

  • alteração importante e repentina da visão;

  • perda de coordenação;

  • desmaio;

  • dificuldade intensa para caminhar;

  • dor de cabeça súbita e diferente do habitual;

  • perda auditiva repentina.

Problemas de equilíbrio também podem ter origem fora do ouvido interno, incluindo alterações neurológicas e cardiovasculares.

Quando surgem sinais importantes ou inesperados, o pronto-atendimento de otorrinolaringologia pode ser procurado conforme a situação clínica, sem aguardar simplesmente que a crise desapareça.

O que fazer durante uma crise?

Enquanto o ambiente estiver girando, a prioridade é evitar quedas.

Alguns cuidados simples ajudam:

  • sente-se ou deite-se em um local seguro;

  • espere a sensação diminuir antes de caminhar;

  • levante-se devagar;

  • utilize apoio se necessário;

  • evite dirigir durante a crise;

  • tenha atenção redobrada com escadas.

Também vale observar qual movimento iniciou o episódio.

Essa informação pode ser bastante útil posteriormente durante a avaliação.

Não é recomendado realizar repetidamente manobras encontradas na internet antes de saber se o problema realmente é VPPB e qual lado ou canal está envolvido.

Perguntas frequentes sobre tontura ao virar na cama

1. Tontura ao virar na cama significa VPPB?

A VPPB é uma possibilidade importante quando existe vertigem breve desencadeada por mudanças específicas na posição da cabeça, mas outras causas também precisam ser consideradas.

2. Por que parece que o quarto está girando?

Alterações nas informações enviadas pelo sistema vestibular ao cérebro podem criar uma percepção inadequada de movimento mesmo quando o ambiente está parado.

3. VPPB é a mesma coisa que labirintite?

Não. A VPPB é uma alteração posicional específica. Labirintite corresponde a outro tipo de condição do ouvido interno e não deve ser utilizada como nome genérico para toda tontura.

4. A VPPB pode ser tratada com manobras?

Sim. Quando o diagnóstico é confirmado, manobras de reposicionamento são recomendadas como tratamento inicial em formas comuns de VPPB.

5. Toda pessoa com tontura precisa fazer VENG?

Não. A necessidade de exames vestibulares depende do padrão dos sintomas e dos achados da avaliação. Em casos típicos de VPPB, testes adicionais podem não ser necessários.

Conclusão

A tontura que aparece ao virar na cama, olhar para cima ou movimentar a cabeça apresenta um padrão que pode fornecer pistas importantes sobre sua origem.

A VPPB está entre as principais possibilidades quando a sensação de giro é breve e claramente desencadeada por determinadas posições. Ainda assim, nem toda tontura relacionada ao movimento possui a mesma causa.

Observar quanto tempo dura a crise, quais movimentos a provocam e se existem alterações auditivas ou outros sintomas ajuda a direcionar a avaliação e evita que qualquer episódio seja tratado genericamente como “labirintite”.

Se você tem sentido o ambiente girar ao virar na cama ou movimentar a cabeça, converse com a equipe da CLIAOD pelo WhatsApp para agendar uma avaliação e identificar o que está provocando essas crises.

* Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual realizada por um profissional de saúde.

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