Perda de olfato sem gripe: causas e quando investigar

Perceber uma perda de olfato sem gripe pode causar estranhamento. O café deixa de ter o mesmo aroma, o perfume parece mais fraco ou alimentos conhecidos passam a ter um cheiro diferente, mesmo sem congestão nasal evidente.

A alteração nem sempre significa perder completamente a capacidade de sentir odores. Em algumas pessoas, o olfato apenas diminui; em outras, determinados cheiros passam a ser percebidos de maneira distorcida.

Infecções virais, inflamações persistentes do nariz e dos seios da face, pólipos, traumatismos e outras condições podem interferir no funcionamento do olfato. Por isso, quando a mudança persiste ou aparece sem uma explicação clara, vale investigar sua origem.

Perda de olfato sem gripe pode acontecer de diferentes formas

Nem toda alteração do olfato é igual.

Quando existe apenas uma redução da capacidade de perceber cheiros, utiliza-se o termo hiposmia. A perda completa é chamada anosmia.

Também pode ocorrer parosmia, situação em que o cheiro continua sendo percebido, mas de forma diferente do habitual. Um alimento conhecido, por exemplo, pode adquirir um odor estranho ou desagradável.

Por isso, antes da consulta, pode ser útil observar:

  • se o olfato desapareceu completamente;

  • se apenas alguns cheiros ficaram mais difíceis de perceber;

  • se os odores parecem diferentes;

  • se a alteração começou de repente ou aos poucos;

  • se houve alguma infecção nas semanas anteriores;

  • se também existe nariz entupido ou secreção;

  • se o paladar parece ter mudado.

Essas informações ajudam a entender melhor que tipo de alteração está acontecendo.

Problemas no nariz podem diminuir a chegada dos odores

Para que um cheiro seja percebido, as substâncias presentes no ar precisam alcançar a região responsável pelo olfato dentro da cavidade nasal.

Quando há inflamação importante ou bloqueio da passagem do ar, esse processo pode ser prejudicado.

Rinite, rinossinusite e pólipos nasais estão entre as condições que podem interferir nessa etapa.

Em quadros de sinusite, por exemplo, congestão, secreção e inflamação podem ocorrer junto com redução do olfato. Quando os sintomas de sinusite aparecem de forma aguda, a duração e a evolução ajudam a diferenciá-los de um resfriado comum.

Já alterações que permanecem por períodos prolongados precisam ser avaliadas de outra forma.

O olfato pode diminuir mesmo quando o nariz não está entupido

A ausência de congestão não significa que o olfato esteja necessariamente funcionando normalmente.

Algumas infecções virais podem afetar a função olfativa mesmo depois que os demais sintomas respiratórios desapareceram. Traumatismos na cabeça, determinados medicamentos e algumas condições neurológicas também estão entre as possíveis causas de alterações do olfato.

É por isso que uma pessoa pode respirar normalmente pelo nariz e ainda perceber uma redução importante dos cheiros.

Nesse cenário, a história do sintoma ganha bastante importância.

Vale lembrar se houve uma infecção recente, queda, pancada na cabeça, mudança de medicamento ou qualquer outro acontecimento próximo ao início da alteração.

Infecções virais podem deixar alterações depois da recuperação

Durante uma infecção respiratória, é comum o olfato diminuir porque o nariz está congestionado.

Em algumas pessoas, entretanto, a alteração persiste mesmo depois que a respiração nasal volta ao normal.

Também podem surgir distorções dos odores durante a recuperação.

Um cheiro que antes era facilmente reconhecido pode parecer queimado, químico ou simplesmente diferente. Esse tipo de alteração não deve ser confundido com perda total do olfato, porque a pessoa continua percebendo o estímulo, mas de forma modificada.

Quando a mudança permanece após a recuperação da infecção, a avaliação pode ajudar a caracterizar melhor o problema.

Sinusite persistente e pólipos também podem interferir no olfato

Quando a perda de olfato acontece junto com congestão prolongada, secreção nasal e pressão na face, doenças inflamatórias do nariz e dos seios da face entram com maior força na investigação.

A inflamação persistente pode dificultar que os odores alcancem adequadamente a região olfativa.

Pólipos nasais também podem ocupar espaço dentro da cavidade nasal e contribuir para obstrução e redução do olfato.

Por isso, quando a rinossinusite deixa de ser um episódio isolado e passa a produzir sintomas persistentes, é importante observar não apenas a congestão, mas também mudanças na capacidade de sentir cheiros.

Nem sempre o paciente percebe imediatamente que o olfato diminuiu. Às vezes, a primeira queixa é de que os alimentos “perderam o gosto”.

Perder o olfato pode fazer a comida parecer sem sabor

Olfato e paladar são sentidos diferentes, mas trabalham juntos durante a alimentação.

A língua identifica características básicas, como doce, salgado, azedo, amargo e umami. Grande parte das características que diferenciam os alimentos, porém, depende dos aromas.

Por isso, quando o olfato diminui, a pessoa pode dizer que tudo ficou “sem gosto”, mesmo que a função do paladar esteja preservada. O NIDCD destaca que algumas pessoas que procuram atendimento acreditando ter perdido o paladar apresentam, na verdade, uma alteração do olfato.

Além de reduzir o prazer durante as refeições, isso pode modificar hábitos alimentares e a percepção dos alimentos.

O olfato também tem uma função de segurança

Sentir cheiros não serve apenas para apreciar alimentos e perfumes.

O olfato também ajuda a perceber situações potencialmente perigosas, como:

  • fumaça;

  • alimentos deteriorados;

  • alguns tipos de vazamento de gás;

  • cheiro de queimado.

Por isso, uma perda importante exige alguns cuidados na rotina.

Enquanto o olfato estiver reduzido, é importante manter detectores de fumaça funcionando adequadamente e prestar maior atenção à validade e conservação dos alimentos.

Quando a perda é completa, não é seguro utilizar apenas o cheiro para decidir se determinado alimento ainda pode ser consumido.

Como é feita a investigação da perda de olfato?

A avaliação começa pela história clínica.

O otorrinolaringologista procura entender quando a mudança começou e se existem outras alterações associadas.

Podem ser investigadas informações como:

  • infecção respiratória recente;

  • crises de rinite ou sinusite;

  • obstrução nasal;

  • presença de secreção;

  • traumatismo na cabeça;

  • cirurgias anteriores no nariz;

  • uso de medicamentos;

  • alterações do paladar;

  • distorção dos cheiros.

O exame do nariz também ajuda a identificar alterações da mucosa e possíveis obstáculos à passagem do ar.

Na CLIAOD, a endoscopia nasal permite visualizar estruturas internas da cavidade nasal e pode ser indicada na investigação de distúrbios do olfato, além de condições como rinite, sinusite, pólipos e alterações estruturais.

A necessidade do exame depende dos sintomas e do que for encontrado durante a consulta.

É possível medir o olfato?

Sim.

Dizer apenas “estou sentindo menos cheiro” é uma informação importante, mas a função olfativa também pode ser avaliada de maneira mais objetiva.

O teste olfativo realizado pela CLIAOD avalia aspectos como percepção, identificação e discriminação de odores. Durante o exame, são utilizados estímulos odoríferos padronizados para analisar como o paciente responde a diferentes cheiros.

Ele pode ser considerado em situações como:

  • perda parcial ou total do olfato;

  • mudanças após infecções virais;

  • rinite ou sinusite crônica;

  • presença de pólipos;

  • distorção dos odores;

  • alterações progressivas do olfato.

O teste não determina sozinho a causa do problema. O resultado precisa ser interpretado junto com a história clínica e a avaliação otorrinolaringológica.

Quando a perda de olfato merece maior atenção?

Uma redução temporária durante um resfriado possui um contexto relativamente claro.

Já uma mudança persistente sem explicação evidente merece investigação.

Também é importante procurar avaliação quando a alteração:

  • permanece depois que uma infecção respiratória já passou;

  • começou após uma pancada na cabeça;

  • piora progressivamente;

  • aparece junto com obstrução nasal persistente;

  • ocorre acompanhada de sangramentos nasais recorrentes;

  • modifica de maneira intensa a percepção dos cheiros;

  • interfere significativamente na alimentação e na rotina.

A idade também pode influenciar a função olfativa, mas uma alteração nova não deve ser automaticamente atribuída ao envelhecimento sem considerar outras possibilidades.

A perda de olfato tem tratamento?

A abordagem depende da causa.

Quando existe uma doença inflamatória ou uma obstrução nasal, o tratamento é direcionado para essa condição.

Em alterações posteriores a algumas infecções virais, a recuperação pode acontecer de forma gradual e apresentar velocidades diferentes entre os pacientes.

Existem também situações em que pode ser considerado treinamento olfativo, baseado na exposição estruturada e repetida a determinados odores.

Por isso, antes de escolher uma estratégia, é importante entender se a alteração está relacionada à passagem dos odores pelo nariz, à própria função olfativa ou a outro problema.

Não existe um tratamento único adequado para todas as formas de perda de olfato.

Perguntas frequentes sobre perda de olfato sem gripe

1. Posso perder o olfato mesmo respirando normalmente pelo nariz?

Sim. Nem toda alteração do olfato é causada por obstrução nasal. Infecções virais, traumatismos e outras condições também podem interferir na função olfativa.

2. Anosmia e hiposmia são a mesma coisa?

Não. Anosmia corresponde à perda completa do olfato. Hiposmia é a redução da capacidade de perceber odores.

3. Por que alguns cheiros ficam estranhos depois de uma infecção?

Essa alteração pode ser chamada de parosmia. Nela, um odor conhecido passa a ser percebido de maneira diferente do habitual.

4. Sinusite pode causar perda de olfato?

Pode. Inflamação, congestão e alterações dentro da cavidade nasal podem dificultar a percepção adequada dos odores.

5. Existe exame específico para avaliar o olfato?

Sim. Testes padronizados podem avaliar diferentes aspectos da função olfativa, como percepção e identificação de cheiros. A indicação depende da avaliação realizada pelo profissional.

Conclusão

Perder ou perceber uma redução do olfato não é uma alteração que acontece apenas durante gripes e resfriados.

Inflamações do nariz e dos seios da face, pólipos, infecções virais, traumatismos e outras condições podem interferir nesse sentido. A forma como a mudança começou e a presença de congestão, distorção dos cheiros ou outros sintomas ajudam a direcionar a investigação.

Além de participar da percepção dos alimentos, o olfato também tem importância para a segurança no cotidiano. Por isso, uma alteração persistente merece ser caracterizada adequadamente em vez de ser simplesmente normalizada.

Se os cheiros ficaram mais fracos, desapareceram ou passaram a parecer diferentes sem uma explicação clara, entre em contato com a CLIAOD pelo WhatsApp para avaliar o que pode estar interferindo no seu olfato.

* Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação individual realizada por um profissional de saúde.

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